Friday, June 27, 2008

Divagando.


Pensei nos não vistos

Ou nas minhas velhas quimeras do sempre-foi

Cansei de olhares efêmeros dessa noite vaga

Triste fim chamado de Sul



Onde a obesa infâmia vive a me espiar

Não faço nada

A não ser, rir de seus malogros não feitos

E se com ele quer ficar, que então o faça



Eu vivi demais

Andei mais que muitos

E sonhei como poucos

Que vivem a divagar em negros cantos



Olhei as sombras nos abismos

Vi que há gente por trás de disso

E também senti sua ira ao meu redor

Por ser mais que mero amante, um amado



Triste o fim desses que ficam

A ver apenas o que pensam ser mundo

Que olham cheios de soberba a mim

Um mero vago, poeta insano



Que deuses os livrem da sua ira

Pois sei que um dia ela há de vir

Cairá como o oceano inteiro

Sobre a pobre morsa enfurecida



E eu, como sempre

Hei de seguir em frente

Vagueando em portos novos

Ou apenas a observar, do alto morro.




JP Di Carlo (27/06/2008)

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