
Pensei nos não vistos
Ou nas minhas velhas quimeras do sempre-foi
Cansei de olhares efêmeros dessa noite vaga
Triste fim chamado de Sul
Onde a obesa infâmia vive a me espiar
Não faço nada
A não ser, rir de seus malogros não feitos
E se com ele quer ficar, que então o faça
Eu vivi demais
Andei mais que muitos
E sonhei como poucos
Que vivem a divagar em negros cantos
Olhei as sombras nos abismos
Vi que há gente por trás de disso
E também senti sua ira ao meu redor
Por ser mais que mero amante, um amado
Triste o fim desses que ficam
A ver apenas o que pensam ser mundo
Que olham cheios de soberba a mim
Um mero vago, poeta insano
Que deuses os livrem da sua ira
Pois sei que um dia ela há de vir
Cairá como o oceano inteiro
Sobre a pobre morsa enfurecida
E eu, como sempre
Hei de seguir em frente
Vagueando em portos novos
Ou apenas a observar, do alto morro.
JP Di Carlo (27/06/2008)
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