
Mais um ano
Outra história
Ocorrida, sem correr
Outro choro, sem presentes
E assim ficamos outra vez
Daqueles que conheceram o seu grande amor
Mas dele só colheram as amarguras, o abandono
Aqueles que baixaram a guarda, acreditaram
Que o amor os tinha escolhido
Do nada, sem mais nem menos
Outra vez, tudo mudou
Olhos se abriram e máscaras caíram
Vimos que o perfeito não existia novamente
Que tudo foi mais um sonho, mais uma decepção
A ser lidada nos próximos meses, anos, semanas
Até mesmo eu, que achava tão impossível sonhar
Caí no desfrute de tal devaneio
Ao ouvir umas palavras bonitas
Vindas de uma bela voz, esta, dona de um rosto bonito
Acabei ficando como muitos outros
Pessoas que nesses dias ficam
Se perguntando onde está o amor
Sendo que este me disse uma vez
Não me procures, pois de ti estarei a me esconder
Pois nessa tua vida de escritor
Tua sina será a de sofrer
Sentir os que me sentiram
Ouvir suas dores, enxugar suas lágrimas
E então tomar seu lugar, de mero ouvinte
E a partir daí, dar inicio ao grande sonho
Ser que não sou
Guardar as minhas dores no armário
Chorar sempre escondido, de preferência no chuveiro
Pra que ninguém veja fraquezas não provocadas pela bebida
Sendo assim apenas um alcoviteiro, dessas mágoas reveladas
Mais uma vez sofremos
Como se ainda fossemos aqueles jovens de tempos atrás
Que outrora sofressem, sempre deram um jeito de sorrir
Extravazar a frustração do desamor
Em um eterno beijo em desconhecidos
Que nunca mais veríamos
Mas que naquela hora ingrata
Nos deu certo sorriso
Massageou os ego vãos de nossos corações impertinentes
Das noites que nunca tinham fim
E hoje tudo mudou
Os anos se passaram, nossas peles envelhecem
Mas mesmo assim, ainda voltadas
Pra essa data que machuca, dia de enamorados
Eternos enlouquecidos
Que nos relembram como um dia fomos antes
Loucos, perfeitos amantes
Sem ligar pro amanhã, do jeito que hoje o fazemos
Desconhecidos, incautos
Perfeitos, belos, impávidos.
Jp Di Carlo (12/06/2011)
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