Wednesday, October 25, 2006

Um poema a alguém que não viu o que eu pude ver.


Lavei minhas lágrimas no banheiro
Com sabão e muita raiva
Vi que tudo me é abstrato.
Tudo me foi tolo
Coisas me foram estranhas.
Tudo não passou de efemérides.

Lavei minhas lágrimas no banheiro
Com as esperanças de não ter sido mero pesadelo
Que eu fosse acordar e tê-lo aos meus braços
Logo ali,naquele quarto poeirento
Vi de olhos marejados que não foi nada
Senão apenas mais olhares.
E tudo não passou de ilusões.

Lavei minhas lágrimas no banheiro
E me afoguei com tanta água
Que lavou vossas mentiras
E baniu de vez a minha cor
Me deixou inerte,
No meio dessa devassidão.

Escorri tais lágrimas no banheiro
Pelo ralo dos meus sonhos
Que sempre tudo leva embora
E nada há de deixar ficar
Senão coisas que foram verdade
Ou seja,
Nada.

(24/10/2006)
Jp Di Carlo.

2 comments:

João Paulo Di Carlo said...

Não,eu não conto pra quem escrevi isso.Só posso dizer que é recente.Mas no fundo,escrevi isto pra eu mesmo,pra poder lembrar que o amor não passa de uma piada de mau gosto.

Alucinógena said...

Com a mesma intensidade que lavaste essas tuas lágrimas no banheiro, lágrimas de tristeza e raiva, ainda vais lavar a tua alma, com lágrimas da satisfação que se sente quando o destino segue sua mais primária máxima: toda ação causa uma reação de mesma intensidade, direção mas no sentido oposto...