Friday, April 11, 2008

A Segunda de D.


Às sombras tuas que não vejo,

Deixo alguns beijos ao alento;

pra talvez iluminar tua noite escura.

Passos e mais passos,

Que eu não posso ver.

Apenas sinto,

Como cada respirar do meu cigarro,

E quem sabe, meus sons de nunca além.

Faço um passeio pela dor;

Do afeto passado há pouco,

Até a ti, o novo;

Alguém que sinto em mim,

Mesmo nada tendo feito para salvar.

O que será de mim, meu belo anjo,

Se apenas fui satanás a ti?

Quis te encantar, ser alguém,

E esqueci quem eu sou;

Daí, lembrei;

Sou o ex, o maridinho,

Que daquela casa de miséria tanto cuidou.

Pergunto a ti, ser querido;

Quem sou eu para ti?

Confesso ter medo, assombros,

Do que poderia ter me tornado se fosse de outra forma.

Mas hoje não, pois a mim te mostraste;

Poético, belo e insano;

As combinações que tanto me fascinam.

Sim, eu;

O que sente na escuridão tanta segurança.

Seus olhos estiveram em mim, disso lembro,

Noites de mês passado;

Tua vida, que me apaixonou,

E continuo seguro nessa escuridão.

Quero a ti, poucos quis.

Serias carma de nome?

Sinceramente, penso que não.

Eu que fui o canalha,

Que por medo de verdades,

Acabou por te perder.

Meu moço, sempre serás;

Daqueles loucos beijos,

E nossas noites de cigarros e tosse.

Beijos a ti deixo,

E às tuas sombras, também.

Desse triste poeta que sonha outra vez,

Sejam teus beijos nessas noites loucas,

Sejam nossas risadas pela noite que segue.



JP Di Carlo. (11/04/2008)

1 comment:

André Freitas said...

Paixões inacabadas e amores perdidos são sempre uma ótima inspiração.
Ainda vamos prosear muito, mateando aí em POA.
Abraços, amigo.